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Em 2008, Juçara Marçal e Kiko Dinucci lançaram em parceria o CD PADÊ. O trabalho, bem recebido pela crítica, aborda de maneira inventiva o imenso universo de gêneros musicais brasileiros, sobretudo os de herança africana. Com a circulação desse primeiro trabalho, os músicos aprofundaram seus conhecimentos e exploraram outras sonoridades e formas de tratar esse material musical, seguindo na investigação dos vários gêneros encontrados na tradição popular brasileira.
Novas composições e outras interpretações para músicas que marcam a parceria entre o violão de Kiko Dinucci e a voz de Juçara Marçal foram experimentadas. E o saxofone de Thiago França trouxe para o trabalho uma sonoridade especial que, sem utilizar a percussão, leva o ouvinte ao universo dos batuques.
Em Metá Metá, Juçara, Kiko e Thiago buscam uma outra maneira de tocar as composições que se inspiram nas músicas de santo, nos pontos, festas e brincadeiras dessa tradição. Cada um dos músicos contribui com sua experiência particular para construir em cada canção interpretada um todo que parte sempre da tradição brasileira, mas relaciona-se também com artistas de outros países que beberam na mesma fonte, a herança africana.
Em língua ioruba, a palavra metá significa três, sendo assim metá-metá pode ser traduzido em um sentido mais próximo à tradição africana como: três ao mesmo tempo, ou seja, a síntese de três elementos em um (1).
Juçara Marçal (voz), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (violão e composições) se juntaram para mostrar um trabalho inédito, com base no universo musical afro-religioso brasileiro, Metá-Metá dispensa o uso de percussão, sem deixar as características rítmicas de lado, ressaltando os elementos harmônicos e melódicos, bem como os sígnos da música de influência africana no mundo.
(1) LOPES, Nei, Logunedé: “Santo menino que velho respeita’ – 2ª ed. - Rio de Janeiro, Pallas, 2002.